Breve história do Surf em Portugal

Tal como não é possível definir com total exactidão o início do surf no mundo, também não o é possível fazer no que toca à realidade portuguesa, ainda assim, seguem-se algumas datas importantes para o surf lusitano:

Em 1946 foi criado em Carcavelos e na Parede o 1º clube de Bodysurf de Portugal, nesta altura só se surfava com o peito ou com uma prancha de cortiça mas deitado sobre a prancha.

O surf com prancha e em pé teve início no fim dos anos 50, princípio dos anos 60 através de pranchas adquiridas em Biarritz – França, na época o centro do surf europeu, resultado provavelmente da presença das tropas americanas neste país durante e depois da 2ª grande guerra, que trouxeram as pranchas de uma Califórnia que na altura vivia um incrível surf-boom.

O pioneiro e considerado como o pai do surf português, foi um surfista de nome Pedro Lima que viveu na época uma autêntica aventura pois não existiam surfistas e praticamente nenhum material documentado sobre surf em Portugal o que o obrigou a ser um autodidacta.

Entre outras aventuras podem-se referir a título de exemplo as várias vezes que os primeiros surfistas portugueses foram repreendidos ou até presos pelos “cabos de mar ” que eram na época a autoridade presente nas praias, pois estes desconheciam aquele objecto apelidado de prancha e julgavam que os surfistas eram banhistas irresponsáveis que não respeitavam as bandeiras vermelhas de proibição de entrar no mar.

Desde então os anos foram-se passando sendo que especialmente depois do 25 de Abril e de uma forma muito tímida o surf foi ganhando adeptos, até que nos anos 80, o surf deu um salto enorme no número de praticantes, instalou-se definitivamente de norte a sul do país ao ponto de ser hoje em Portugal tal como no resto do mundo o desporto que mais adeptos ganha por ano, o que consequentemente deu origem a que o surf seja um desporto que o comum dos mortais sabe facilmente identificar.

Em 1987 Portugal fez-se representar pela 1ª vez enquanto Selecção Nacional de Surf por ocasião do Campeonato Europeu de Surf por Selecções – o Eurosurf 87, realizado em França e em que a nossa selecção terminou num honroso 4º lugar.

Em 1988 é criada a Federação Portuguesa de Surf.

Em 1989 surge o 1º Circuito Nacional de Surf, composto apenas por 3 etapas e vencido pelo surfista da Caparica – Bruno Charneca “ Bubas ”.
Também neste ano Portugal organiza um Campeonato Europeu de Surf Selecções, o Eurosurf 89 que teve lugar em Aveiro e em que Portugal terminou em 3º lugar.

Ainda em 1989 e pela 1ª vez teve lugar em águas lusas uma etapa do mundial de surf, vencida pelo surfista Rob Bain, numa final chuvosa com uma assistência de mais de 2000 pessoas.

Em 1990 verifica-se o reconhecimento mundial da qualidade das ondas portuguesas através da exposição mediática de um campeonato espectacular – o mundial de surf da Ericeira – Buondi – Pro.

Em 1991 tem lugar a 1ª prova nacional (Espinho) com premiação em dinheiro e um surfista nacional – Dapin, sagra-se vice-campeão europeu de surf.

Em 1992 a Selecção Nacional Portuguesa acaba em 9º lugar na 1ª vez que disputa o mundial amador de selecções.
Também neste ano o surf chega às televisões através do programa “Portugal Radical” da Sic, que se torna num programa de culto de uma geração de jovens portugueses e torna o surf conhecido a todos.

Em 1993 tem início o Circuito Nacional de Esperanças, um conjunto de provas que impulsiona o futuro do surf nacional e que tem como estrela promissora o jovem surfista André Pedroso.

Em 1996 a Selecção Portuguesa termina em 7º lugar no World Surfing Games (uma espécie de Jogos Olímpicos do Surf que substituem o antigo mundial amador).
Pela 1ª vez Portugal recebe a elite do Surf Mundial numa prova da 1ª divisão do surf – World Championship Tour of Surfing, para a história fica a vitória do surfista nacional Bubas face ao na altura tetra-campeão do mundo – Kelly Slater.
Ainda em 1996 Portugal sagra-se Campeão Europeu de Juniores.

Em 2000 Tiago Pires “ Saca ” termina num 2º lugar histórico numa das provas de surf profissional mais emblemáticas do mundo em Sunset Beach – Hawaii, naquela que foi provavelmente a prova que mais visibilidade deu ao Surf Português a nível mundial.

Em 2008 Portugal assistiu pela 1ª vez um surfista nacional – Tiago Pires “Saca” entre os 44 melhores surfistas do mundo a disputar a “1ª divisão” do Circuito Mundial de Surf. Saca tem-se mantido entre os melhores do mundo desde então com destaque em 2 provas em que atingiu as meias finais (Austrália e Indonésia).

Desde 2010 que a Vila de Peniche assiste a uma das etapas do campeonato do mundo de surf – World Tour, em que consecutivamente as excelentes ondas de Supertubos e a grande afluência de público têm sido o destaque na imprensa internacional.
Além desta prova de grande importância, Portugal contou nos últimos anos com eventos de categoria “Prime” os segundos mais importantes do mundo, nos Açores e na Linha de Cascais.

Desde o ano de 2012 Portugal entrou definitivamente no mapa das ondas grandes mundiais ao ser amplamente publicitada as sessões de surf em ondas gigantescas na Praia Norte da Nazaré pelo surfista americano/havaiano Garret McNamara. Este terá sido o acontecimento com maior divulgação de sempre a nível mundial sobre o Surf em Portugal, pois é aqui que até hoje se mantém o recorde da maior onda alguma vez surfada no mundo segundo o livro do Guiness Records.

Mais recentemente destaque para os surfistas portugueses Vasco Ribeiro, Marlon Lipke (que inclusive fez parte dos Top44 durante uma época) Nicolau Van Rup e Frederico Morais com performances e resultados competitivos de grande destaque mundial, onde se pode destacar o prémio de surfista estreante “rookie” do Hawaiian Triple Crown of Surfing de 2013 entregue a Frederico Morais “Kikas”.

História do Surf Mundial

O Surf nasceu provavelmente através de viajantes pioneiros descobridores das águas do Pacífico ou através de pescadores cerca de quatro mil anos atrás, na Polinésia ou no Peru. Há uma forte probabilidade de que pescadores do Peru tenham usado canoas de palha chamadas “Caballito de Tottora”, como barcos de pesca de forma a poderem navegar nas ondas ao retornar à costa depois da pescaria, eles apanhavam as ondas e manobravam as canoas de maneira a chegarem à costa através da boleia da onda. De acordo com a história, os primeiros relatos sobre o aparecimento do surf teve lugar no ano de 1779, quando o capitão James King teve de substituir o comandante James Cook após o seu assassinato. Uma das tarefas que lhe foi incubida foi a de relatar ao detalhe as situações que poderiam ser curiosas e interessantes.

Entre muitos desses relatórios escritos há um relatório detalhado sobre o ato de surfar entre os povos indígenas locais de Kealakekul Bay na costa de Kona da Ilha Grande (Hawaii).

Ele escreveu:
“A maior diversão ocorre na água, onde uma grande ondulação e ondas quebram na praia, os homens, às vezes 20 ou 30, entram na água quando não há swell e deitam-se numa estrutura plana e oval com um tamanho similar ao de um homem, eles mantêm as suas pernas juntas em cima daquela estrutura e usam os braços para, dar direcção á tabua, depois eles esperam que venha uma grande ondulação em direção à costa e de seguida, todos juntos, eles remam para a frente com os braços para manterem-se no topo e isso dá -lhes uma grande velocidade mas, a maior arte é dirigir corretamente a tabua na direção certa acima em cima da onda enquanto esta muda constantemente a sua forma. ( … ) a maioria deles eram apanhados pela rebentação da onda, eles tentam evitar a queda e de seguida nadam com força para um lugar distante da zona de impacto. Devido a este exercício , podemos dizer que essas pessoas são quase anfíbias, eles podem nadar até ao nosso navio, passam metade do dia na água e em seguida retornar mais tarde.

Esta atividade era apenas entendida como uma diversão, não uma competição de habilidades e quando uma ondulação mais suave vem, parece-me muito agradável, pelo menos, eles parecem ter grande prazer do movimento que este exercício proporciona.”

Mais tarde…….
Em 1779 o surf, que faziam deitados ou de pé nas tábuas passou a ser uma forte parte da cultura Havaiana . A realeza e o resto dos chefes locais usavam-no ​​para demonstrarem as suas capacidades e as suas habilidades. Ainda não é possível identificar com precisão a origem ou a data da evolução dessa prática social dos havaianos porque não há nenhuma evidência de movimentos migratórios antigos. No entanto é aceite que as pessoas que depois foram viver na Polinésia e no Havaí vieram da Ásia 2000 anos antes de Cristo.

Mesmo que o surf não tenha sido criado no Havaí pelo menos foi aí que foi largamente desenvolvido por toda a sociedade.

A história havaiana é cheia de amor, de poder e de desafios que foram resolvidos pelas habilidades do Surf.

O Surf estava tão integrado na sociedade que eles tinham inclusive regras aplicáveis ​​às pessoas que poderiam surfar em determinadas praias ou recifes e em que posição de surf poderiam ficar (deitado ou de pé). Havia regras de exemplo e punições para as pessoas que surfavam ondas proibidas ou pelo fato de um surfista apanhar uma onda que não lhe pertencia (roubar a onda de um outro surfista que tinha a prioridade para apanha-la porque era o surfista mais próximo do ponto de ruptura da onda) ou que pertencia a alguém importante, poderiam até serem condenados à morte.

Cânticos de surf, orações, pranchas de surf, rituais e deuses do surf estavam por toda a cultura local até ao momento em que as colonizadores ocidentais começaram a emigrar para as ilhas.